Como Barack Obama está chegando lá
O candidato favorito à presidência da república nos Estados Unidos, Barack Obama, está mantendo uma enorme rede social com seus eleitores e simpatizantes usando a Internet. O nome do projeto é my.BarackObama, ou simplesmente myBO, e conta com pessoas como Chris Hughes no seu desenvolvimento. Chris é um dos fundadores do Facebook – o bilionário Orkut-like preferido pelos americanos.
A idéia do myBO é reunir pessoas e fornecer conteúdo, e ele faz isso muito bem. Uma das ferramentas que a rede oferece está focada em geomarketing, ela aponta as pessoas próximas a você e em quais atividades elas preferem se dedicar, então você pode reunir por exemplo 20 pessoas do seu bairro cadastradas por lá e sair para panfletar. O material, inclusive, é totalmente fornecido pelo myBO, você pode escolher, personalizar, imprimir e distribuir.
Porque ninguém evoluiu nisso antes? O custo com marketing fica de certa forma descentralizado e as doações recebidas podem ser reinvestidas em outros pontos, inclusive na melhoria da própria rede. E cá entre nós também, os americanos podem fazer isso com muito mais facilidade: internet banda larga está presente em 55% das residências, o dobro das últimas eleições em 2004, além dos custos com material, que por lá é irrisório se comparado ao que gastamos no Brasil.
Barak Obama está usando a tecnologia a seu favor. E a tecnologia está aí, disponível para qualquer um que esteja disposto a investir um pouco da sua inteligência, deixando de lado os velhos modelos de condução das campanhas e partindo para o que é hype de uma forma útil e a seu favor. Não quero dizer que o discurso no palanque já deve ser esquecido, mas fechar os olhos para as tendências e não ser o primeiro a fazer algo que ninguém fez ainda pode custar muito lá na frente, como por exemplo 4 anos como presidente do mundo, digo, dos Estados Unidos.
Enquanto isso, no Brasil, você conhece algum candidato que mantém um blog (inclusive fora do período das campanhas)?

Com relação ao cenário brasileiro, conheço um ou dois políticos aqui da cidade que mantêm sites fora do período eleitoral. Em suas páginas eles comentam propostas e falam de suas agendas, entre outras atividades, o que contribui para a proximidade entre eleitorado e político, e abre caminho para o respeito mútuo.
Apenas acredito que o modelo ainda não decolou totalmente por aqui por causa do despreparo, e também por conta dos entraves da nossa legislação, como dei a entender no meu texto.
Abraço!
Fora isso, o Kassab fez aquela reunião com blogueiros e mantém um blog – acredito que só em período de eleição para isso acontecer mesmo.