
Recentemente temos visto e ouvido por todo canto - seja na TV, no rádio, em outdoors ou qualquer outro meio de comunicação - sobre o surgimento de dois “novos” partidos: os Democratas (sigla: DEM, nº: 25) e o Partido da República (sigla: PR, nº 22). A primeira coisa que me veio à mente foi: “Caramba! Até nisso estamos imitando os estadounidenses!”.
Realmente não há como negar a origem da inspiração para ambos, mas se olharmos de perto o que levou a criação destas duas legendas… o buraco é mais profundo! Bem mais!
Comecei a reparar em duas coisas intrigantes nas propagandas dos partidos que foram o uso de número de legenda que já conhecia de outros partidos e a aparição de políticos conhecidos na propaganda destes partidos.
DEMOCRATAS
“Ué! O Arruda acabou de ser eleito Governador do DF pelo PFL e está na propaganda deste novo partido, os Democratas? Peraí, mas o número de legenda deles é 25? Este é(ra) o número do PFL! Putz! Trocaram o nome do partido…”
Sim! No caso dos Democratas é apenas uma nova roupagem para um velho conhecido de todos nós: o PFL. Mas porque o novo nome? Simples: Nas últimas eleições o PFL perdeu 19 cadeiras na Câmara Federal e 1 no Senado. Também só conseguiu a eleição de um Governador e sua aliança com o PSDB para as eleições presidenciais (lançando o senador José Jorge como candidato à vice-presidência na chapa de Geraldo Alckmin) também fracassou. Então, para recuperar a imagem, decidiram mudar o nome. Afinal, brasileiro tem memória curta mesmo e assim os mais desinteressados pela política nem vão notar que não é um partido novo, mas um velho partido, com figurinhas carimbadas, se disfarçando atrás deste novo nome. Além disso, os simpatizantes dos EUA vão adorar a semelhança no nome e assim eles conseguem algumas centenas de milhares de votos ocasionais… mas neste último quesito terão que competir com os Republicanos.
PARTIDO DA REPÚBLICA
A origem do PR ocorreu por motivo distinto, mas nem por isso mais interessante: Para atingir as metas da “Cláusula de Barreira“, o PL e o PRONA fundiram-se formando o novo partido. Assim, os nossos Republicanos surgiram no cenário nacional para contornar um dispositivo da lei eleitoral brasileira. Outros partidos também estavam em processo de fusão, mas o PR foi o único que a manteve depois que a “Cláusula de Barreira” foi julgada inconstitucional pelo STF.
Resta saber se este vai dar certo, já que se trata da fusão de partidos com uma visão muito divergente. Enquanto o PL apoiou a eleição e re-eleição de Lula, sendo o vice-presidente José Alencar partidário do PL em 2002 (o escândalo do Mensalão o fez trocar de partido), o PRONA, quando não lançou candidato próprio à presidência, permaneceu sempre neutro.
Aliás, ambos os partidos são responsáveis por algumas das situações mais hilárias que já presenciei em campanhas políticas: nas eleições de 1989 surgiu o grito de guerra de Enéas Carneiro, candidato pelo PRONA (Meu nome é ENÉÉÉAS!!!) e o jingle mais tosco e nonsense de todos os tempos, de Guilherme Afif Domingos, candidato pelo PL (”dois patinhos na lagoa, é Afif vinte e dois!”). Se bem que em termos de nonsense as eleições de 1989 são campeãs! 21 candidatos, Silvio Santos se aventurando na política (o 22º candidato)… resumindo, uma zona!
Este artigo foi escrito pelo convidado Jaderson Sathler, analista de sistemas e mais um desiludido com a política brasileira nas horas vagas. Ele também escreve para o Fundo do Armário, um blog sobre “nostalgia digital”.
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